coberto de pó e pelo qual entra um pequeno raio de sol difuso;
há por aqui uma escrivaninha antiga, uma cadeira de baloiço e um baú aberto;
dentro do baú está o nada - o fundo perde-se no avistar da escuridão que dele emana;
a madeira range a cada passo e a cada toque fica uma marca de mim no pó que arrasto com os dedos;
ao canto da velha divisão vejo-me sentado, perdido no olhar de uma escrita mecânica para um bloco amarelado;
há folhas rasgadas e amarrotadas no chão, há água entornada de um vaso partido;
o mundo pinta-se de tons pastel e transfigura-se em cinzentos e castanhos que se adensam no pequeno espaço como um véu de suavemente cai por cima de nós;
sento-me comigo para ler o que escrevo, mas não entendo a letra;
deixo-me cair, enconstado a mim, cansado do exercício de me rasgar em papel e tinta;
vejo-me fechar os olhos, a adormecer enquanto procuro à minha volta o significado de tudo;
num ápice desapareço, consumo-me;
o papel mostra-se vazio e nenhuma palavra fica;
apenas o silêncio da luz que, difusa, continua a trespassar por entre o pó que cobre o ar;
o barulho ensurdecedor deste silêncio incomoda-me;
olho à volta à procura da saída e só vejo as escadas que aqui me trouxeram;
atiro-me para elas com a urgência de me soltar deste lugar
e desço-as para lado nenhum.
2 years ago
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