Wednesday, March 3, 2010

aparas

gavetas mortas de tédio,
fechaduras ferrugentas de solidão.
trancas soltas em golpes de sangue,
ferrolhos tortos em gritos rangentes.

janelas batentes,
cortinas rasgadas,
vidros gretados,
madeiras doridas.

rodapés aflitos,
paredes suadas,
paredes gastas,
paredes marcadas.

passos pesados em soalho esvaído.

consumido pelo roçar dos ponteiros do relógio,
a mácula de um fantasma pinta o espaço despejado.

Sunday, July 26, 2009

Monday, July 6, 2009

falácias do eu

¿ɯɐʇsǝɹ soʇuɐnb
ɐssɐd ǝnb ɐıp ɯn sıɐɯ zıɹʇɐɔıɔ ɯǝ oʌɐɹƃ
ɹɐ ou ǝɯ-oʇuǝןɐɔɐ
ɐɹı ɯoɔ ǝɯ-opɹoɯ

Tuesday, June 30, 2009

úvea

vista rasurada através de olhos de vidro fosco
face seca e pasma na hipermetropia húmida
o caderno invisível não tem mais folhas em branco

asco

luz e gritos.
calor do verde forte.
corre-me o suor em bica.
o gosto de uvas secas,
o fedor da vida alheia.
um tronco marreco que prende a atenção,
uma vela cuja chama serpenteia ao vento,
um troar vespertino.

por onde me segues?

nada?..
apenas nada.

Sunday, June 7, 2009



Thursday, June 4, 2009

mute





.   .   .




Sunday, May 31, 2009

Friday, May 29, 2009

caixa

passo as mãos para sentir a textura
familiar, mas diferente
contemplo o seu interior com a emoção de quem vê o mar pela primeira vez
repudio o seu interior como quem se sentiu enclausurado pela ira das vagas picadas
quero guardá-la
embrulho os papeis, devoro as cartas e notas
deixo-me sonhar com sons do verde vivo
sinto na pele o sabor adocicado da brisa da manhã
lanço-me contra as paredes; quero trespassá-las
arremesso tudo para o nada
aperto com força entre as mãos e empurro
sinto os salpicos da aflição enquanto a mantenho presa debaixo de água
afogo-a mais uma vez
fecho-a a sete chaves