passo as mãos para sentir a textura
familiar, mas diferente
contemplo o seu interior com a emoção de quem vê o mar pela primeira vez
repudio o seu interior como quem se sentiu enclausurado pela ira das vagas picadas
quero guardá-la
embrulho os papeis, devoro as cartas e notas
deixo-me sonhar com sons do verde vivo
sinto na pele o sabor adocicado da brisa da manhã
lanço-me contra as paredes; quero trespassá-las
arremesso tudo para o nada
aperto com força entre as mãos e empurro
sinto os salpicos da aflição enquanto a mantenho presa debaixo de água
afogo-a mais uma vez
fecho-a a sete chaves